PERTENCES (vilanela)

Algo que permanece d'aura extensa
Como a essência invisível dos objetos,
Cujo longo uso indicam-nos pertença:

Além do que se faz e o que se pensa
De nós em nossos gostos prediletos,
Algo que permanece d'aura extensa.

Desgastadas relíquias d'uma crença,
Onde os dedos premiram, inquietos,
Algo que permanece d'aura extensa.

Alguma fé absurda mas imensa,
A fazer-nos abstratos mais concretos...
Algo que permanece d'aura extensa.

Os óculos, a pena, o terno, a prensa...
Visto de humanidade já repletos,
Algo que permanece d'aura extensa.

Em tudo que estivemos nós completos,
Quando da ausência, seja-nos presença
Nos ressignificando em amuletos,
Algo que permanece d'aura extensa...

Betim - 15 04 2018