À noite,
eu me escondo como o sol,
tentando ocultar as artérias,
da minha solidão,
do meu desespero,
procurando afugentar as mágoas
que caminham,
em cada um dos meus passos,
À noite
as dores,
as saudades,
os antigos abraços,
as lembranças que vagueiam,
nas almas perdidas dos meus abandonos.
À noite,
aguardo as estrelas
como quem espera, ter companhia em cada uma delas
e ter a última chance de ser feliz.
Os pássaros se escondem à tarde
voltando aos seus recantos,
aos seus abrigos.
sem entoar mais os seus cantos
À noite,
eu não tenho para onde voltar
senão para dentro de mim,
tentando me identificar
e eu mesmo me encontrar...

Tsunami de lágrimas Luzern, 5 Maio 2014,