Em mim existe uma alegria tal,
E não encontro explicação
Quando no momento de emoção,
Abre a concha o vendaval

Vindo da boca da musa,
Liberando palavras e sons,
Pinturas de todos os tons.
Minh’alma se torna luz difusa

Vira notas de muitas sinfonias,
Cometa riscando o céu,
Sherazade sem o seu véu,
Universo em harmonia.

Tudo nasce em espiral de incenso.
Escrevo e a cabeça não levanto,
Deus, não posso quebrar o encanto
Do poema no ar suspenso.

Agiganta-se a minha alegria
No momento único, triunfal,
Em que posso ver, afinal,
No papel a minha cria.

01/11/05.
Maria Hilda de Jesus Alão