Touro orgulhoso que na arena não se domina,
Não geme quando a bandarilha em si se prende,
Luta contra cada estocada e não se rende,
E a orgulhosa cabeça não inclina.

Ele marcha valente para a viva quina,
Que, com certeiro golpe, seu coração fende,
E no chão da arena seu corpo inerte estende,
Gritando a multidão o “olé” que alucina.

Às vezes é o vencedor da insana peleja,
Cego de ódio tomba quem na sua frente esteja,
E espumando descarrega a fúria contida,
Rasgando o homem, tirando-lhe a vida.

Mesmo vencendo o vencido ao vencedor,
O homem não deixa de espalhar a dor,
Dizima, de forma louca, por motivos banais,
Buscando primitivos prazeres na morte dos animais.

02/03/03
Maria Hilda de Jesus Alão