Ela esteve sentada por todo o percurso.
A paisagem fazia belo o vazio de meu peito.
O desejo de dizer foi menor que o de sentir.
Sentir a presença de uma alma desconhecida.
- Uma viajante aparentemente sem destino!
Ela estava ali quase indiferente a minha existência.
Parecia invisível, insensível, intangível.

O carro com dificuldade seguia a viagem.
E eu, o curso da estrada.
Terra dura, sem asfalto; a poeira voa alto.
No verão, o ar rarefeito, nos faz pensar na volta, quando a tardinha chega mais fria.


As garças dançavam bem organizadas sob olhar suspeito da lua.
O sol, ao longe, despia o resto do dia de suas vestes coloridas.
- Uma mortalha preta estava lá aguardando a serra sumir na escuridão.


No escuro, todos são iguais!
Os morcegos podem nos dizer sobre isso!
O preconceito é doença, é ferida!
É distância de criança, é brincadeira, é herança mal dividida.
É uma senda esburacada;
Uma mente atrapalhada.
Uma faca de dois gumes!
- Só, não diz de si, um vagalume!


Ela se levantou e eu passei.
Ela se ajeitou, e eu pelo corredor apertado daquele veículo mal encarado, deslizei com dificuldade.
Desci, desci, desci...
Tomei outro caminho.
Nele vi uma figura amiga.
Despida!
Nua!
A pele estava crua!
Andava na rua e dizia somente a verdade...