O vovô que mora no céu

17 de Janeiro de 2013 MCSCP Poesias 441

"Vou contar-lhes a história
De meu querido paivô.
Guardem sempre na memória
Com carinho e amor".

Era assim que a professora Maria
Falava sobre seu pai e avô Josué.
Reunia toda a sua amada famíla
Para compartilhar ternura e fé.

Dizia ao seu filho que o vovô
dormia,
Mas que um dia, ele iria despertar.
E que, nesse momento, do céu viria
Jesus com seus anjos para nos resgatar.

Era entre lágrimas e sorrisos
Que a Maria se lembrava do paivô.
Até o dia em que, no paraíso,
Por meio de um sonho, ela o avistou.

Que sonho lindo, era tão real!
Um lugar maravilhoso, sem igual.
Abraçou o paivô com alegria, já não havia pranto.
Foi quando ele cantou uma antiga canção, Acalanto.

" É tão tarde... A manhã já vem..."
Era cantando que fazia a netinha adormecer...
O avô sempre a quis tão bem,
Que, de avô, seu pai passou a ser.

"Pai, sinto saudades e nada esqueço
De tudo o que fizeste por mim.
Aprendi bastante e agora reconheço
Que muito do que sou, eu devo a ti.

Como era bom deitar na rede em tua companhia
E imaginar que estávamos num barco, numa pescaria!
A rede balançava pra lá e pra cá,
Os peixes eram as sandálias que eu conseguia amarrar.

Sinto falta da antiga cantoria...
Nelson Gonçalves, tua boemia...
Lembro-me também de tuas agendas
Repletas dos mais lindos poemas.

Como era bom ir contigo à escola.
Quando me buscavas, eu ia sem demora.
Era divertido o nosso caminho,
Pois era bem barulhento nosso velho carrinho.

E quando eu chegava, de onde quer que fosse,
Ficavas a me esperar com o delicioso pão doce.
Às vezes, eu nem sequer supunha,
Trazias da feira saborosas pupunhas.

Pai querido, lembras quando, à tardinha,
Eu arrancava os pêlos de tua orelha com a pinça?
Como eu gostava de te ajudar
E sentir a mais terna gratidão no teu olhar.

Ainda guardo tua mensagem comigo:
Ser a gota de orvalho, ou o sândalo ferido.
O orvalho que fecunda, o sândalo que perfuma...
Teus ensinamentos, não esquecerei nunca".

O avô sorria e continuava a cantar
O doce acalanto para, a netinha, ninar...
E, assim, no sonho, ela adormeceu
Como que acolhida pelas mãos de Deus.

Pela manhã, ao despertar,
Seu desejo era continuar a sonhar.
Mas precisava levantar,
As aulas iam começar.

Olhou para sua mão e viu o anel
Que o avô lhe dera ao se formar.
Levantou a cabeça, olhou para o céu
E teve a certeza de que o paivô estava lá.

Quão maravilhoso foi aquele dia,
Foi tão doce como o mel,
Quando Maria disse a Elias
Que o vovô Josué mora no céu!

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