Bem mais do que uma profissão,
Ser professor(a) é uma missão:
É professar o amor em sua plenitude,
É professar a verdade, os valores, as virtudes.

É professar a paz para vencer as guerras,
É professar a melhora que o planeta espera,
Pois toda mudança surge pela educação
E cada professor(a) é um(a) agente de transformação

O trabalho docente é como o do semeador
Que lança a semente no solo acolhedor.
Assim também, com as ideias, trabalha o professor,
Estimulando cada aluno a ser um pensador.

Pensadores e pensadoras, sujeitos do seu aprender:
Aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser,
Pois esses são os pilares da educação
E constituem o caminho da revolução...

Da revolução pacífica, fraterna e humana:
Na qual a justiça e a misericórdia são soberanas,
Na qual a consciência é despertada,
E nenhuma vida é ameaçada.

Ser professor(a) é ter sensibilidade,
É trabalhar a favor da humanidade,
É saber que diferença rima com diversidade
E que é preciso combater a desigualdade.

Mas são poucas as pessoas a acreditar
Que, por meio da educação, o mundo pode mudar
E é por isso que não valorizam os professores,
Preferem bajular os que são opressores.

A classe dominante sempre dita o padrão,
Da norma culta da língua até o perfil de uma profissão:
Elabora critérios pautados na exclusão,
Sem deixar espaço para críticas ou indignação.

Afinal, quem reclama é demitido,
Quem bajula é promovido:
"Manda quem pode, obedece quem tem juízo"
Então, eu pergunto:Qual é o papel do professor em tudo isso?

Para quem não sabe, ouso dizer:
Os professores são os mediadores nessa relação de poder.
Por isso, necessitamos de uma educação transformadora
Que liberte os indivíduos da mentalidade opressora.

A educação precisa ser libertadora:
Dialógica, humana, afetiva, inovadora.
Deve problematizar a realidade,
Reconhecendo o sujeito e sua historicidade.

Paulo Freire muito nos ensinou.
Sua obra, a muitos, inspirou.
Mas há quem diga ser utopia
Tudo o que Freire acreditava, realizava e dizia.

Só que eu não me calo diante disso,
Pois sou professora e assumo o compromisso
De lutar pelo que eu acredito
E, de lutar, eu não desisto!

A educação é um ato político
Que exige reflexão, ação e senso crítico.
Não é algo neutro, não é adestramento,
Não é uma mera transferência de conhecimentos.

A classe opressora sabe disso muito bem
E, por isso, trata os professores com desdém.
A sociedade, muitas vezes, não valoriza o papel dos professores
Que são vistos como impotentes sonhadores.

E assim, muitos companheiros desistem de lutar...
Até mesmo uma outra carreira precisam buscar
Para obter respeito, dinheiro, dignidade e qualidade de vida.
Mas eu me questiono: O que a nossa profissão significa?

Significa desconstruir a relação de exploração
Significa acabar com o sistema de dominação
Significa mudar o modo de produção
Significa lutar por uma pacífica revolução

No entanto, há pessoas que não gostam da profissão
E se tornaram professores e professoras por falta de opção.
A essas eu aconselho: Não multipliquem tamanha frustração
Pois vão influenciar mal os indivíduos em formação.

Canso de ouvir tanta reclamação:
"O salário mal paga as contas do meu cartão!"
Em vez de reclamar e de se sentir, economicamente, impotente,
Que tal tentar consumir de forma consciente?

Que tal praticar a sustentabilidade
Por meio da redução, da reutilização e da reciclagem?
Que tal combater o capitalismo selvagem
Por meio da colaboração e da solidariedade?

Eu reconheço que são grandes os desafios,
Que, às vezes, a vida pessoal fica por um fio,
Pois temos que sacrificar o tempo com a família
E isso afeta a nossa qualidade de vida.

Precisamos de constante atualização
Por meio de doutorado, mestrado e especialização
Para subir na carreira e aumentar a remuneração
Mas nem sempre é fácil conciliar a família com a formação.

Além disso, o desrespeito e a falta de valor
Por parte de alunos que carecem de amor,
Tornam os professores reféns da violência
E agressões são banalizadas por meio das más influências.

Eu quero dizer, ou melhor, gritar:
Eu não me conformo, isso tem que mudar!
Chega de tanta banalidade e opressão,
Os professores não são como fantoches que passam de mão em mão.

Os professores e as professoras influenciam opinião
E podem alterar o rumo de uma nação.
São verdadeiros(as) revolucionários(as) a lutar
Para que o povo possa se emancipar.

Os anos que passamos na universidade
Nos ajudam a compreender a nossa realidade,
Nos fornecem os meios para mudar a socidade
E lutar por paz, equidade e liberdade.

Portanto, aos professores e às professoras,
Do meu amado e belo país,
Eu digo: Libertem-se da mão opressora,
Temos de aprender a ser feliz.

Combatam o bom combate
De vencer as dificuldades pela fé.
Quem crê em Deus, não se abate
E, diante das tormentas, fica de pé.

Lembrem-se de quem é o Mestre maior,
Lembrem-se de que, com Ele, somos um só.
Seguimos juntos na caminhada
Para a mais significativa das jornadas.

Trabalhamos com o ser humano,
Ajudamos a formar pensadores.
Pela verdade, vencemos os enganos.
Por amor, somos professores.


Ass.: Professora Maria Cleide da Silva Cardoso Pereira