Era a louca cabeça de vento.
Quando de vento em poupa, vendava seus pensamentos.
E os libertava. Junto com palavras deformadas, que só tinham sentido em sua mente.
E suas ideias confusas, difusas, ofuscadas.
Tinha a visão diferente, em cada canto, caras diferentes.
Sorrisos em muros emburrados.
Desgosto em sambas agitados.
O coração palpitava em cada aventura imaginária, e se via lutando com dragões no espaço.
Se via a rainha dos mares. A heroína do deserto.
A amiga dos imperadores de planetas distantes.
Se via na companhia de seus mais queridos poetas, dos mais consagrados cantores.
Gostava do mundo que havia criado.
Mas dentro dela, sabia que ele não duraria muito. Logo viraria a adulta cinza, cheirando a café e desilusões.
Por isso virou poeta, e todo o dia enquanto escrevesse, as palavras tomariam vida, e viveriam por ela.