POESIA DE AMOR

...o vento me fala de um tempo futuro.

Fala das cores de um por do sol
das gotas de tinta
escorridas numa tela que só eu sei pintar.

O vento afaga os meus cabelos vermelhos
tintos do suor das uvas
que insistem em amadurecer agora
quando as portas da catedral ainda não se abriram...

O vento traz um perfume que eu não conheço. ( ! )

Um perfume diferente do sândalo e da erva doce
com os quais lavei as minhas palavras
deixando-as secar sol
para depois escrever cada rima e cada verso
que brotavam como gemas preciosas...

Sopra vento! Sopra...

Traga-me o pó dos pergaminhos
o sangue da terra
o breu e a magenta florescida no coração que pulsa
no grito daquelas que controlam as horas
em rocas de madrepérola.

Traga-me o futuro e o passado
engastado num anel de tempo
pedra de fogo
luz dos meus olhos
perdida nos seus olhos;
antítese de um sonho preso num relicário.

Silencio!
O tempo agora dorme
enrodilhado feito um gato
no desvão de um olhar que não se abriu.