Acho que estou trilhando um caminho sem volta.
Tão obscuro, que nem havia uma porta.
Pulei a janela, me infiltrei nesse ciclo viciante,
Tornando este ato, cada vez mais constante.

O mundo atual, me fez olhar as coisas de outra maneira.
Todos os dias quando sento à mesa, acredito ser a última ceia.
Porém, não há salvador, nem mesmo um anjo,
Apenas a certeza do abandono.

Quando começo a remoer sentimentos,
Tenho a mesma liberdade que um detento.
Escondido entre paredes, alego sentir paz,
Mesmo que eu já nem saiba o que é isso mais.

Minha companheira é a felicidade comprada em cápsula,
Numa esquina qualquer, com uns trocados do bolso da calça.
Na escuridão das ruas, sigo caminhando,
Com vozes ensurdecedoras me atormentando.

Penso estar dando um passo à frente, mas é o contrário.
Se não ando para trás, fico estagnado.
O perigo ainda não me esqueceu,
Me lembrando sempre, que o maior problema sou eu.