Papai diz sentir orgulho
Que olha pra mim e vê um promissor futuro.
Mamãe já acha o contrário,
Diz que serei pior do que um escravo.

Papai conta para os outros, como sou um filho bom,
E que dentro desta carcaça, existe um dom.
Mamãe acha isso um desperdício.
Fofocar com amigos, a façanha de um filho.

Papai descobriu que gosto da bebida,
Assim, nasce nele à primeira ferida.
Mamãe tranquila, só observa
Diz que com notícias vindas de mim, não se desespera.

Papai soube que gosto do cigarro,
Em sua cabeça já não existia mais certeza, estava tudo embaralhado.
Mamãe com um sorriso de canto, fazia pouco,
Alegava que só não via isso, quem era louco.

Papai vive perguntando o que mais virá de mim,
E que o errado, não tem mais fim.
Mamãe neste momento, resolve não falar,
Prefere se calar e apenas escutar.

Por essas coisas, papai já não fala mais com tanto brilho,
E as brigas, tomaram o lugar dos elogios.
Mamãe, não acha isso um absurdo,
Pois assim como no início do poema, ela sabia que eu não tinha futuro.