Da noite
As trevas me perseguem.
Ondulam entre meus pés
O fino capim da ribeira fria.
Galopam em meu dorso
Um tropel de emoções
Angústia, medo, solidão...
Sem ter para onde ir
Fecho os meus olhos
E sinto o peito explodir
Num fogaréu que arde os olhos
Do animal que me toma.
O ar úmido da floresta
Passa por mim
Entre os ruídos e silvos noturnos
A sede me sacode
Em respingos d´água fria
Escorregantes gotas da luz da lua
Na minha pele espessa.
Folhas mortas acariciam meus pés
Entre um passo e outro
Um trôpego galope de
Suor e sangue
Neste descaso que irrompe o avelhar do tempo
Mesclando para sempre
A minha memória e a ilusão
De estar viva.