PRIMEIRA VEZ

18 de Julho de 2011 Abreu Poesias 373

Somei desejo, amor, paixão, sei não!
O sinal vem mudo, inodoro, incolor
Silencioso, chega temperado com emoção
É inesperado, inadequado, mas indolor

Lesto, em teu pequenino quarto, adentrei
Pela janela entreaberta, o peitoril galguei
Destro, garreei-te, ó eterna e venerada Musa!
Tão tentador, estou a desabotoar saia e blusa

Coração descompassado, desnudei o meu desejo
Na penumbra plenilunar, foco tua silhueta nua
Teu corpo belo, coleado, espectável, antevejo
Estrelar, roseado, perfumado, prateado pela lua

Deitei-te na cama, num ritual cerimonioso
Com o olhar, corri tuas saliências, caricioso
Vidrado, mirei teu tufo, teso, forro carinegro
Suspirei vitorioso, de vitória, rubro-negro!

O sangue a correr, tresloucado, nas artérias
Valvulado, num abrir e fechar contínuo
Ventrículos a se agitarem, incessantes
Aloucados, com sínoca, em sístole, diástole

Em teu âmago, varri a língua, lânguida
Primeira vez, a sorver-te, tudo obsessão
Lépido, ágil como um coelho, certeiro
Acertei em cheio tão secreta molhação

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Cópia, distribuição e execução são autorizadas desde que citados os créditos.

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