DOR QUE SALVA

19 de Julho de 2011 Abreu Poesias 498

Igual a quem um dia te pariu
Maltratada, por anos e anos
Esteve a viver, penando, a fio
Lutando, a salvar nossa dor
Que te margeia, a causar danos.
Minha primaz pura e bela
Hoje velha, nova, cheia de cor
Lépida igual adolescente
Semi-analfabeta; sem trela
Nos convidastes, e sentes

Nunca, nunca te vi tão linda
Tão arrumada e bem vestida!

Oh! Cidade-Mãe, onde do nada
O pobre vive sua totalidade
Tua paz o deixa livre, festeiro
E o som emanado dos timbales
Como os negros, puro e verdadeiro.
Estou aqui, tantos anos a aplaudir
Cinqüenta, mais quatrocentos
Redondos, a Diva a repetir:
“Num corpinho de duzentos”!
Sem apologia, estamos a sentir

Nunca, nunca te vi tão linda
Tão arrumada e bem vestida!

Teus filhos, só profundo amor
Por ti a lutar, como dantes
Desde o mar a te banhar
Ao núcleo ainda verdejante
Perpetuando o teu valor
Alguns excessos, aqui e ali
Esquecimentos outros, acolá.
Num passado não tão recente
Teu vermelho era sangue-azul
Num sofrer profundo, inclemente
Hoje é quase todo rubro, até Jesus!

Nunca, nunca te vi tão linda
Tão arrumada e bem vestida!

Antes, o negro da escuridão
Enxotado com a luz fulgurante
A emanar de tuas entranhas
Multicor, como o fogo da paixão
A salvar toda dor; a queimar
Por teus filhos mais errantes
Nada mais restando, a recordar
Todos aqueles pecados aberrantes
Sem se deixar sofrer, a olvidar

Nunca, nunca te vi tão linda
Tão arrumada e bem vestida!

Para o velho e rico continente
Como tua mãe, estás a engatinhar
Quase-analfabeta, ainda adolescente
A me fazer sentir, sofrer e chorar!
Acompanhando os reflexos no mar
Vejo o teu humor mudar de cor
E enxergo vida, nas ondas, a espumar
Mas no chocar das pedras, sinto tua dor
A nos unir, no machucar intermitente
Forte, não choras, e diz que nem sentes

Nunca, nunca te vi tão linda
Tão arrumada e bem vestida!

Divina, doce e bela: Parabéns, Salvador!
Sempre justa, estás a rimar amor e dor
O mundo em guerra, a cada ano a adotar
Filhos como a gente, na busca da eterna paz
E juntos vamos, assomar, comemorando
A festejar, do leão da barra, o centenário
Esquadrão de aço também compartilhando
Unidos, a louvar, compondo o teu cenário
Juntos, a lutar por tua almejada maioridade
Ovacionada, aclamada, ó cidade idolatrada
Negros, rubros, brancos, todos a se render por ti!

Nunca, nunca te vi tão linda
Tão arrumada e bem vestida!

Esse texto está protegido por direitos autorais.
Cópia, distribuição e execução são autorizadas desde que citados os créditos.

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