Aqui estou: só, num canto,
vivendo a solidão de minhas escolhas.
Caminhos sem volta, túneis sem luz,
num quarto patético, depositário do tempo,
em que sobrevivem os sonhos da noite passada.
Olho em volta, procuro e não te encontro.
Grita o peito de saudade...
uma saudade mansa, doída, sem graça...
tudo perdeu a graça.
Pouco importa se é dia ou se é noite.
Pouco importa...
A tua ausência preenche os corredores
e o frio chega-me a alma.
A corda parece ter se partido e nossa sintonia,
tão fina e aguçada, rompeu,
levando de mim a tua breve companhia.
Tento falar, mas as lágrimas não me deixam...
e, nos espaços por entre as palavras,
ressoa o teu pedido antigo
para que não te abandones.
Jamais me ausentei de ti
um segundo que fosse pela eternidade.
No entanto, apesar da insistência do vento,
não escuto o eco da tua voz
a bradar em meus ouvidos.
Minha energia vai
e não mais retorna com a tua.
Isso me desespera...
Tento buscar o rastro do que sentias
e encontro apenas a mecanicidade
das poucas sílabas que repetes sem emoção.
O temor esfriou o calor do sentimento e sei,
muito embora não quisesse saber,
que logo emudecerás.
E eu continuo aqui,
atirando metáforas pelos cantos da minha,
da nossa casa,
figuras que mantenham viva
a esperança de não ver morrer em ti
esse grande amor.