Não há métrica,
não há rima,
com desprezada melodia,
sou apenas palavras sem estética.

Sentido de viver,
encontro nos parágrafos soltos
em linhas que hão de morrer
ao final de simples pontos.

Amo.
Sim eu amo.
Mas meu maior inimigo,
é o Amor maldito.
Logo, não mais amo.

Versos, tercetos, sonetos
minha vida em lirismo 
vou escrevendo,
com sangue quente de ferido.

Ferido por ser comedido,
em líricos desvaneios,
Ferido por ser acorrentado
à algemas de escravo.

Todavia,
haverá o dia
em que se desfalecerá o homem
e em mim, será escrito o humano.

Dia de sol arrebatador,
de noite estrelada.
Alforria da dor,
por meio da verdade de minha vida.

Verdade tão buscada,
muitas vezes ofuscada,
mas que em minhas curtas frases,
insisto em exaltá-las.

Uma vida de verdade,
em breve, há de nascer
após a morte do personagem,
finalmente vou poder escrever:

Sou alguém
que em curtas palavras,
em singelos versos,
passou à viver.