Estou mergulhado em minha essência,
perco assim, a vertigem
ganho assim, o meu eu-virgem.
Inocente em minha timidez,
vulnerável em meu olhar.
Olhos de Vênus.
Enxergo o princípio da glória.
Coração sangrento,
açoitado por amores e palavras,
coração apaixonado,
amante do romance puro.
Amante do pecado sujo.

Mergulho em minha alma,
ouço o canto de minha consciência,
a orquestra de meu organismo. Perco minha ciência.
Afogo-me em minha gênese,
bebo as águas da soberba,
doce líquido de meu egocentrismo.
Saboreio a tequila de meus fetiches.
Conheço e temo o sadismo.
O espelho mente,
reflete uma face apatetada,
mas, quando caminho pelos mares de meu espírito,
rezo pelas lágrimas de meus desejos
fadados a morrer sem conhecer,
o meu eu.