Minha terra não tem palmeiras,
quiçá sobrara um sabiá
as aves que aqui gorjeavam,
agora, gorjeiam por lá.

Minha terra ressecou
e meus campos queimaram.
Fuligem e carvão, é o que me restou.
Que fauna aqui terei, já que os lindos animais migraram ?

Mas o que me entristece
é saber que minha alma aqui jaz
e meu corpo aqui desfalece
pois você, com seu orgulho, para ajudar nada faz.

Ajoelhei, rezei, implorei
nada aconteceu.
Uma resposta de Deus, não escutei;
agora minha alma adoeceu.
Fico esperando
a morte vir e para junto dela, ficar.
Mas ainda fico pensando:

Se em minhas terras ainda tivessem palmeiras,
e se apenas um sabiá
estivesse à cantar
minha vida inteira
seria entregue para te amar.