ROUBA-ME !!!
Por: Selda Kalil

Surge assim do nada e rouba-me...
Rouba-me meu amor e ainda diz estar tudo bem ?
Ainda diz-se ser somente um empréstimo?
Tira de mim o meu pão...
E diz-se estar faminta?
Tira de mim minha água...
E diz-se estar sedenta?

Vem e rouba-me.
Rouba-me meu amor...!
Ainda diz-se ser só por instantes?
Tira de mim meu cobertor, meu aconchego...
E diz-se estar com frio?
Um disparate, isto é abuso.
Quer simplesmente um uso.
Vai pegando, se apossando...
Sem questionar se há carimbo.
Rouba-me... Leva-me meu tesouro...

Atrevida, cangaceira...!
Vem de longe, sem eira nem beira...
Vai chutando, empurrando.
E rouba-me.
Eu não dei, não emprestei e nem vendi.
Chega-se uma pentelha...
E se apossa daquilo que construir.
Fui lá e tomei de volta.
É meu por direito !

Não empresto, não vendo e nem dou.
Aceno minhas mãos ao vento
Ele leva de volta este estrago passageiro
E lança-a onde tal merecer
Vai-te... Até nunca mais !
Cure os seus devaneios junto ao vento
E o vento rouba-te !