O dia inicia,
O café puro começa
Estragando
O meu estômago,
E a cada gole vai gerando todo dia
A azia infinita,
E a gastrite que finita a vida .


A tarde começa,
Ondas de cervejas
Compradas em estoque,
Latas ou garrafas,
Tudo
Descendo dia-dia na goela,
E vai detonando o meu fígado
Para poder chamar cirrose
Que serás bem-vindo.


A tarde continua,
E chaminés negros de cigarros
Fazem o estrago na casa,
A fumaça que sai de formulas
Para acabar com os ratos,
Vai escurecendo os meus pulmões
e assim espero ainda gerar o câncer.

A noite chega e estou com fome,
Chega prostitutas em domicílio,
Meu dinheiro de aposentado
Vai queimando no Self Service em entrega,
E eu vou me alimentando sem proteção,
Mesmo com risco de sífilis,gonorreias
Que se um dia chegarem até mim,
Viraram minhas belas companhias.

Todo dia fazia isso,
Sou auto-destrutivo.

Porém um dia
Alguma mulher falou
Para eu ir ao médico
E resolver os meus problemas,
Talvez neste dia não estava bêbado,
E queria um pouco de viver,
Mas por outro lado sou sádico
Bebi uma bela dose de cachaça,
E realmente despertei e falei
Que não tinha jeito!

Então
Pra quê médico?
Eu pagaria o resto que eu gasto em bebidas e mulheres
Para sustentar o homem de branco que iria apenas dizer
Que tenho menos de 1 ano de vida?
Disso eu já sabia
Não tem jeito,
O que queria é esperar eu morrer!

Foda-se a longevidade doentia,
A morte é uma coisa bonita
E queria encarar
Como se fosse esperar
o primeiro beijo de uma garota
Tão feia.

A morte pra mim não é medo
É uma ânsia
De não viver.

Um dia decidi
esperar ela
preparei os meus ingredientes
para atrair...

Não era suicídio,
Morrer pra mim tem que ser natural
Desde criança interpretei mortes.

Morrer é estilo e ensaiei
Para esperar o dia.


Por isso
Desde já,
Lá vou eu esperar,
Estou parado,
Deitado no sofá
Vendo TV
E comendo gordura trans
Para entupir de uma vez
As veias e artérias para
desativar aquilo que não desistia
Em bater!