Pra receber as musas, vez em vez,
E atirar palavras para o alto.
Acertar os nefelibatas nos seus campos celestes,
E aparar suas quedas com minhas redes de insegurança.

Eu quero mirar o nada e ver tudo o que ele tem.
Examinar olhares como quem observa
Pela janela de um trem.

Meu desejo é enxergar na sombra dos ângulos retos.
Pegar com as mãos a escuridão
E coser com trevas poemas diversos,
Que dos meus mistérios se alimentarão.

Ser livre qual gavião caçador,
A perseguir alegrias sem limitação,
Se rindo de graça, da marca e da dor.

Navegar no mar da inconsciência,
Ao sabor da ventania intuição.
Que nutre as velas do meu sonho vivo
Com a matéria prima do coração.