Eu sou, mas quem não é?

25 de Dezembro de 2013 Mostradanus-Gyn Poesias 270

Eu sou aquele ser de bem com a vida,


De satisfação garantida.


De ganância desmedida


Um homem com alegria de viver


Ou sem medo de morrer



Sou sinônimo de político


Que também tem horário na TV



Uso laranja


Que meu dinheiro não esbanja


Sou aquele que faz caridade


Nas periferias da cidade


Que compra amizade



Sou um burguês estilista


Um grande malabarista


Que não senta em "buteco",


Não anda de treco


Que rema nas ondas bravas da vida


Como um surfista alquimista


Ou um falsário altruísta




Aquele que está sempre na lista,


Dos dez mais, não sei de que !


Sou aquele que sonha com o Guiness


Um grande artista e malabarista


Compro a capa de revista


Sou um maldito capitalista


Um porco chuvinista




Sou aquele ardente pastor


De almas perdidas, o redentor


De corpos sofridos, combalidos.


Uso o nome de um salvador


Para carregar multidões


Para mutirões de caridade,


Na minha cidade,


Prego a castidade,



Da obra divina, um executor


Do grande arquiteto. um procurador


No templo da esquina, prego paz e amor


Empunhando a bíblia, como a espada


De um guerreiro sarraceno


Reconhecidamente obsceno


Demagogicamente pacificador


Dos dízimos um coletor



Escroto, mercenário,


Atras do dinheiro do otário


Aleluia, aleluia, irmão


Do meu coração,


Salve o estelionatário


Com dízimos do calvário


Com o livro sagrado na mão



Do calvário da minha vida,


Da minha vida sofrida


Sou também aquela alma iludida



Uso o poder das palavras afiadas


Preparadas e ditas sagradas



Sei que todos estão ali,


Por necessidades materiais


Ou por crenças banais


Mas eu, todo poderoso,


Um mentiroso asqueroso


Com a habilidade de um gato felino


Aos deuses canto um hino



E realizo todos os seus desejos,


Não consigo explicar direito a quem salvar


E nem salvar do que.


Prego em um templo moderno


Todos os meus seguranças com terno


Ou faço um trabalho no terreiro


Para o freguês em desespero


Tudo, tudo, por causa do maldito dinheiro


E não sou chamado de muambeiro


E detesto macumbeiro


Não orou, é baderneiro



Uso o poder da censura


Invocando a lisura


Sou amante da linha dura



Uso o terror das expressões


Complicadas, sofisticadas,


Que vem do além


Ou de Jerusalém, ou de Belém


Que constam na bíblia sagrada,


Repetitivas, coercitivas.


Imperativas, nocivas


Sutilmente restritivas


Convenientemente punitivas



Falo de exorcismo


Com o maior cinismo



Falo de Barrabás


E não dou trégua aos orixás



Não julgo para não ser julgado e


Defendo o livre arbítrio


Porque assim, todos se regozijarão.


Injustos, não serão chamados jamais


E livres todos ficarão.



Sou Amigo do Vento,


Que corre contra o tempo


Vilão, sanguinolento


E vou reescrever com sangue


O terceiro testamento



Faço a guerra em nome da paz


Sou o Imperador Nero de Roma


Sou Hitler, Sou um pouco Mussolini


Sou o imbatível George Bush


Rei da nova ordem ocidental


O embaixador moderno do Mal


Falso amigo do Berimbau


Que mata como um “sacana”


Esmaga, humilha e acha bacana


E agora me chamo Obama



Sou cordeiro na pele de Satanás


E no espelho que se desfaz


Sou o Paulo Clone da paz


Sou aquele que vê na sua testa


O CRcifrão que faz a minha festa



Sou aquele comerciante


Que um dia foi ambulante


Sob um maldito sol escaldante,


Mesmo não tendo sido estudante,


Sequer sei o que é um manifestante


De saldo bancário abundante


Vida social estafante



Empreendedor e sonegador


Corrupto e corruptor


Sou também chamado de patrocinador


E se houver um complicador


Dou o tombo no fornecedor


Com cheque voador


Visado por um gerente safado


Que trabalha num Banco respeitado


Que o transforma em cheque sustado


Sem ocorrência que justifique


Aquele maldito trambique.



E sempre volto à ativa


Comprando certidão negativa



Uso mão de obra de terceiro


E o chamo de parceiro


E o deixo morrer no passivo


De um plano de contas nocivo



Sou um maldito capitalista


Um ser humano egoísta


E agora figuro em uma lista


Que pra me ver só com “revista”



Sou Amigo do Vento,


Que corre contra o tempo


E ao mesmo tempo


Bandido como passatempo


Vítima da sociedade


Da crueldade da humanidade


Sou a favor da liberdade


Para matar, sacanear, estuprar


Esquartejar, torturar


E não tem quem me faça parar



Ninguém vai me punir pelo avião que usei


Pelo imposto que soneguei


Pelo erário que desviei


Pelo bebê que seqüestrei,


Pelo velhinho que assaltei


Pelo fornecedor que não paguei,


Pela criança que atropelei


Quando drogado eu fiquei


Pela ex-namorada que matei


Pela mulher amada que esquartejei


Ou pelos inocentes que assassinei


E por tudo mais de ruim que tentei



E no meu carro bonito


Eu escrevo: Jesus vai voltar


Jesus é o meu verdadeiro Rei


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