Esses versos, também de minha
autoria, foram escritos há 15 anos, aproximadamente para “homenagear” ou
saudar, como queiram um insignificante que passou por Goiânia, e que trabalhou
numa grande indústria têxtil concorrente e que obviamente me disse coisas que
eu não gostei de ouvir, mas serve também para os dias atuais e para muitas
outras pessoas que entram em nossas vidas. O poema (se é que posso chamá-lo
assim) ganhou alguns recheios e propósitos deliberados e assim, muito oportuno
citar o inicio do texto de Francisquini que me fez arranca-lo da gaveta mais
depressa, já que em meu ultimo texto fiz referencia a ele:


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“Existem pessoas que escolhem como ocupação
principal na vida, serem fiscais da vida alheia. São capazes de “tomarem conta”
e dão notícias de tudo o que acontece ao seu redor (na grande maioria das
vezes, com uma pitada de veneno).” - (Francisquini)


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BOÇAL   



 



Não é difícil você reconhecer
um boçal



É um cara sem sal



De comportamento anormal



Chato e paradoxal



Pode ser um general



Ou um gerente comercial


Pode ser tudo que vou escrever



Ou pode ser apenas uma linha
do que você vai ler


É antes de tudo



Um ignorante completo



Um eruginoso emproado



Age como um animal



De instinto irracional



Um  sujeito aloprado



Não faz falta de tão enjoado


Não gosta de discutir política



Nem futebol nem religião



Sempre chora reclama e implica



E nunca se explica


É geralmente um fanático
religioso.



Bem vestido, garboso



Astuto e ganancioso



Pode ser um internauta



Arrogante e peralta


Detesta deologia,



Mas não tem a menor idéia do
que seja.



O Boçal, geralmente é uma
pequena autoridade



Fardada ou não, sempre com o
chicote na mão



Convencido e espertalhão



Do tipo mandão



Não conhece a palavra perdão



Sempre se mete em confusão



Gosta de dar demonstração de
força



E, quando lhe dão ordem para
voltar atrás,



Sofre por ser contumaz



 
Reclama sempre do que o outro faz



  Vestindo
a roupa do satanás


 



  Não
acredita em honestidade,



 
Não é capaz de um só
protesto.



  Para justificar suas pequenas falcatruas



  Afirma
que homem que ainda é honesto



 
É porque não teve a coragem para mudar



  Traz
consigo a falsidade



  Ou
porque não teve a oportunidade



  Ou
coragem para roubar


  A
maioria deles detesta votar,



  Não
participa, não interfere na política



  Acha
tudo uma grande bobagem



  Ou
então vota no mais bonito



  Ou
no rico, pois acha que rico não precisa roubar.



 
Diz ainda com a certeza de um chacal



  Que
todo político é igual



 
E fazendo uma longa viagem



 
Sempre vota na terra natal



 


  O
boçal, não sabe distinguir um desempregado



 
Pai de família desesperado, de um cachaceiro e



 
Ainda o chama de vagabundo 



  Não
tem a menor idéia do que seja um problema social



 
Quando as pessoas pobres se
organizam,



 
Geralmente são chamadas de baderneiros


  O
boçal descarado, sem-vergonha confesso,



  É
aquele que quando a verdade fica muito evidente,



  Acusa
a outra parte de radical, de Xiita



  Não
reconhece a validade de um movimento coletivo



  Não
sabe o que é uma causa



 
Quer apenas sair na fita



  Uma
figura esquisita


  A
sorte do boçal é que,



  Quando
ele morre



  Não
faz falta.



  Ninguém
se lembra dele.


  Você
se lembra de algum boçal morto ?