O ANEL
O anel estava em seu dedo;
Aquele bem pequeno da mão direita.
A vida estava em seu corpo alojada até a morte.
Essa última é águia esperta na espreita do dia.
Essa foi uma sorte igual à de todos.
E com ela a figura dócil e meiga se foi.
Mas uma chama no meu peito ardia.
A irmã saudade demorou, mas, finalmente ele me disse oi.
Essa mulher não me abandona mais!

A semente madura desceu ao chão.
Foi no ano passado que ele me deixou.
Foi na terra do caju que deitaram o seu caixão.
Essa despedida é difícil de ser esquecida.
Na minha praça não há mais crianças.
A cidade ficou menor.
Depois que a carruagem o levou.

Recordo-me dos dias juntos; são lembranças antigas.
Pai e filho compartilhavam o mesmo sonho.
O segundo era tão pequeno que em suas mãos se equilibrava.
E o mundo bem disposto rodava, rodava.
O menino cresceu e o deixou atrás.
O velho sobralense era forte demais.
Em seu peito havia a ânsia:
“Eu sei que ele voltará”.

Os dedos se foram,
O anel ficou.
Vejo as mãos que me afagaram; delas muito dependi.
Vejo um pai, e um amigo, dele nunca me escondi.
E o anel?
Ah, se eu pudesse eu o trocaria por aqueles dedos e por aquelas mãos; eu seria um sábio e feliz mercador...