PARTO

01 de Agosto de 2011 Abreu Poesias 444

Largada em maca fria, noite sombria, na periferia

Embalada em vento, ventre sempre em desalento

Brutificada em dor, em mais alta escala horrorizou

Aplicou-se oxitocina, mofina enevoada em neblina



Dor pertinaz a incomodar, mente rente em surdina

Dedos contraídos, crispados, em lágrimas derretidas

Veias estreitadas, a amargar o pulsar no pé da barriga

Olhar malogrado, sonhador, humor aquoso, pegadiço



Dor infame, parto natural, casual, modelo alucinante

Extensa contração, urros e gemidos: bramido animal

Mal avultou, todo períneo lacerou, num rasgo bestial

Restou exaustão, tresloucando o pensar, apavorante!



Resgatada da montanha, viu a ventura desmoronar

Lancetado sem alívio, em costume russo foi expulso

Combalido, nem bem aportou, retornou ao além-mar

Leva um passado sem pai, inglório, mãe sem futuro

Esse texto está protegido por direitos autorais.
Cópia, distribuição e execução são autorizadas desde que citados os créditos.

Leia também
Lembra? há 2 dias

Quando o tempo nós pertencia dia e noite não existiam? Quando ainda...
enidesantos Poesias 13


Principio há 2 dias

Toda a humanidade repelida da perfeição Privada da perspectiva da ...
enidesantos Poesias 10


Viandar há 2 dias

Viver e caminhar eu gosto de tudo que a vida me da Gosto de viver e ...
enidesantos Poesias 10


Fluxo do tempo. há 2 dias

Boca devoradora do tempo que tudo vai apagando varrendo da vida todo o en...
enidesantos Poesias 11


Sou há 2 dias

o que quero e onde quero Meu palco é a vida Dela faço brotar o pr...
enidesantos Poesias 10


Ame...! há 2 dias

Apenas ame Não se infecte de amor Infecte-se de vida Queira vida D...
enidesantos Poesias 8