O LUXO DO LIXO

04 de Agosto de 2011 Abreu Poesias 432

Mal anoitece, brotam do nada e aos montes aparecem

Carros improvisados amiúdam-se em olhares amedrontados

Em idades variadas espalham-se em nova e árdua jornada

E de imediato iniciam a coleta, em prédios, os mais altos


"O rico produz o risco onde só os pobres trabalham o lixo!"

Mãos sujas, imundos, sem luvas, em miséria absoluta

Em preto fúnebre, rasgam no ato o plástico do tal saco

Jogados no chão, criteriosos, o ganha-pão, selecionam


Eles vêm lá do Nordeste, da Baixada, do Areal, Boqueirão

Vão à luta, correm atrás, não ficam por um Deus a esperar

E quando questionados, risonhos e suados, ficam a exclamar:

– Se não cuida bem de mim um Deus, antes me cuido eu!


Entre sonhos adiados e depois de muitos planos malogrados

Empurram os carrinhos, já abarrotados, abrindo caminho

Ordeiros, impregnados de fétido cheiro, cruzam as ruas

Entre passeios atalham e seguem resignados, para a cafua

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