Praçonismo.

25 de Fevereiro de 2014 Lorrana Poesias 324

Não lembro de tê-lo visto mais de duas ou três vezes.

Sentado confortavelmente na cadeira da praça, eu podia vê-lo quase totalmente. 

Ele tinha os olhos profundos, porém, com marcas de expressão ao redor.

Supus que talvez fosse a dualidade de sua vida. Riso e choro. A vida inteira.

Eu realmente gostava dos seus olhos, pude ver que seu sorriso era estranho, diferente, puro.

A camisa surrada fazia-me pensar em rasgá- la totalmente, e seu cabelo embaralhado despertava o meu desejo de penteá-lo.

Ele olhou pra mim umas duas ou três vezes.

Duas ou três vezes eu sorri de volta.

Gentilmente acenou a cabeça, como quem acena para um velho amigo, de modo a parecer que mesmo em silêncio ambos saberiam e lembrariam sempre do que viveram. Ou o que poderiam ter vivido.

Ele não esperava ninguém ali sentado.

Eu o esperaria a minha vida inteira, sentada na praça.

Não lembro de tê-lo visto mais de duas ou três vezes.


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