Um pedaço de silencio e sei

Sobre os montes sairei

Outrora era simples cego

Hoje vejo os olhos da esperança

Num campo de vestidos salpicados de dor

Entre os cardos de uma terra desolada

Fertilizadas pelos clamores do sangue de Abel


Um pedaço de silencio e verei 

A outra face da amargura e as dracmas perdidas

Outrora simples andante agora peregrino

Hoje enxergo as praias das salivas e calafrios

Num vale de sementes e oleos perfumados

Entre as aberturas de minhas feridas expostas

Vejo a cura, pelas cores da agua e do sangue


Um pedaço de silencio e adormeço no sossego...


Clavio Juvenal Jacinto