Mas como cansa essa incessante busca pelo amor, ou pela felicidade à dois. Todo dia amo à alguém, que não sei quem. Não sei qual a cor dos seus cabelos, muito menos sei a cor dos seus olhos. Não sei a cor da sua pele. Não sei se em seus dente há vários pedaços de metal brilhante, ou se o brilho vem do seu sorriso branco. Não sei se seus cabelos são ondulados ou lisos, não sei se sua pele é macia; nem, ao menos, se seus olhos são delicados ou arregalados. Todo dia é a mesma coisa, me apaixono por ninguém e fico com medo de deitar e, por acaso do destino, cair no sono; pois, sendo ‘ninguém’ a escolha do dia, sei que ela não voltará amanhã, e o amor que, até então, senti, foi por sono abaixo, e fico sempre nesse ciclo infinito. Amanhã ninguém fica, amanhã ninguém vai embora e, de forma ou outra, voltarei ao meu estado vegetativo, à espera cansativa de um amor de verdade, de alguém que não seja ninguém, de ninguém que seja alguém, ou vice-versa.