Pairam livres as letras,
Condensam-se,
Ganham forma,
Sons e gostos.

Dançam, sorriem,
Amam e choram.
Anseiam por outro ser.
Olham-se no espelho
Com seus vestidos pretos.

Abraçam os sonhos
Morrem de amor,
Cingem a vida
Com fervor.
Remexem os cabelos,
Quadris e seios.

Pensam, apaixonam-se,
Seduzem e maltratam.
Não os homens,
Mas os poetas.
Ah! Essas letras
Destroem o mundo
Juntam-se em seis.
E se tornam; M-U-L-H-E-R.



Rio de Janeiro, 22 de março de 2011.