Transtornos

Turvo é o vento e traz
As folhas e as canções
A replica da face
Dos adornos desse céu estrelado
Meus pensamentos

Sobre o chão de meus lamentos
Vejo a dor adormecida
Como uma flor que se secou
No sol de um verão
Passado

Eu fico parado nas paragens
Um espírito abalado
Entre transtornos de chuvas de luzes
Como as bolhas de sabão
De sopros De labios puros

Qual o sabor das águas
Que escoam na madrugada
Entre as veias de orvalhos
Flocos de alvuras
Os fundamentos do amanhecer

Nas colinas entre sertões
Estou eu mesmo sentenciado
A perdoar setenta vezes sete
E ao menos ficar calado
Diante de meu espírito em torpor

Mas as agulhas da vida
Penetram no intimo
Rasga o caminho das fugas
Meu ser se liberta
Vou voando

Voa flutuando nesse vento
Braços abertos para a humanidade
Como um solitário peregrino
Isolado por dentro
Na imensidão de meus próprios sonhos

Clavio Juvenal Jacinto