Icaro sem asas

Voar sem asas, só em pensamentos
Ao longe enxergar os muros sem lamentar
As pontes e os hemisférios
As terras desse reino distante de mim

Como ébrio esse orbe
Conduzido por sopros e alentos
Voar sem asas, e ao longe enxergar
O campo da batalha mais triste

Flutuar no imaginário
Transpor os montes Urais
As colinas transversais
Num retoque e a tumba do passado

Como luar de sarmento
O pórtico dos sacramentos
A vida sagrada
O sangue a orla do respirar

Voar sem asas, no limiar
As águas do diluvio
As geleiras do Alasca
As cordas invisíveis do universo

Verter as fontes das paredes
Num fluir de nuvens e espaços
Cosmos e granitos
Aljavas de luzes retorcidas

Voar sem asas e abrasar-se
Nos poentes de Marte e Venus
Navegar em navios de algodão
Destino: estrela da manhã...

Clavio Juvenal Jacinto