Devo ir, quando o teto do céu enegrecer
Quando bocas calarem, cansadas, inertes.
E a mão fria do vento, minha pele tocar
Nenhum murmúrio, no escuro escutar.
É quando deves enfim me esquecer.

Devo ir, vagar pelos olhos vazios da noite
Sentir que entre tantos, sozinho estou,
Reler os meus dias em poças no chão
Sabendo que apenas restou o açoite.

Devo ir, divagando à erma morada feraz,
Chutando os sonhos derramados ao chão
Inebriado com o sumo que me é aprazível
Deixar-me leve e soluto só ele é capaz.

Devo ir, para longe do espelho nebuloso
Que do eu, mostra apenas a palidez
Detendo o mais alto adejar do condor,
Fazendo tão pobre, o bailar majestoso.




Rio de Janeiro, 13 de maio de 2010.