Chega-me este vento do leste
Arrastando pelos braços delírios
Segregando do meu ser as pérolas,
De esperança, desejo e bondade.

Envolve-me, este sádico estranho
Protegendo-me das tenras emoções,
Cobrindo-me com insólitas sensações.
Extirpando o mais belo dos encantos.

Atalha os ouvidos com lamurioso canto...
Em suas garras transporta minha razão,
Sobre negras penas, fenecem matizes
Oferecendo-me a palidez da ilusão.

Intrépido é seu inglório adejar,
Langoroso sobrevoar da insensatez.
Sobre as águas inóspitas do insano mar
Lança-me a fim de imergir a minha tez.



Rio de Janeiro, 28 de junho de 2010.