EXTEMPORÂNEO

A felicidade existia neste instante
Procuro-a e não encontro
Ouço uma voz longe, distante.
É a voz deste desencontro
Quanto tempo se passou
Quanta primavera se floriu
Tantas que o tempo levou
Nos ventos que partiu
Quantos sonhos e desenganos
Quanta palavra me calou
Quantas ações sem planos
O tempo não parou
Volto triste e atroz
Sei agora que não existo
Sei agora o que me destrói
Dentro da noite persisto
Mas o silêncio é imenso
Sem sono insisto
Mas não sei o que penso
Sereno crio o pecado
Que me domina e me consome
Desequilibrado
O pecado me infesta
Sufoca-me e me mata
Cheguei tarde, faltou atenção.
Nada me resta
Atrasei-me com a oração.