Sonhos revisitados

04 de Junho de 2014 Odairjsilva Poesias 246

Um olhar distante realçava a agonia de quem viveu muito tempo

E que, apesar da longa jornada,

Sabia que o destino ainda reservava uma grande surpresa.

Tinha contemplado muitas coisas extraordinárias durante o seu viver

Umas boas e outras nem tanto assim,

Mas continuava a perceber que alguma coisa faltava acontecer.

Durante o dia contemplava o nascer do sol e imaginava o despertar da história

Em cada flor a desabrochar

Acompanhava o pôr-do-sol no entardecer de sua vida.

Mas a vida do ser humano é sempre cheia de detalhes

E, na vida desse guerreiro mais um acontecimento ainda estava por vir.

Numa bela tarde de calor

Seus olhos cansados avistam uma linda jovem de cabelos compridos

Que caminha em sua direção em passos decididos e relutante ao mesmo tempo.

Sem esconder a ansiedade de vê-lo de perto.

Em poucas palavras relata sua trajetória de vida e dos sonhos perdidos no tempo.

“Sou fruto de uma semente que deixou há muito tempo”

E, no desconhecido mundo de suas aventuras, procura saber onde foi.

Mesmo sabendo que falta pouco tempo para saber.

Tinha em sua vida um grande rebento que edificou com carinho e muito trabalho

Mas, não se lembrava daquela filha que aquela menina descrevia como sendo sua mãe

O que fazia dele um avô de alguém que ele jamais sonhara existir.

Lembrou que há muitos anos passados ele tinha conhecido uma moça

Semelhança idêntica aquela ali diante de seus olhos cansados

E, em uma noite, seus corpos se uniram em um amor louco e imprudente.

Nas suas lembranças de garoto com as mulheres

Amores sempre viam e iam da mesma forma

Como nuvens que se formam nas tardes de verão.

Carente de afeto e solta pelo mundo cruel

A jovem menina pede um auxilio ao ancião

Na esperança de dias melhores.

Na primavera do tempo de vida

Surge a crucial decisão a tomar no centro de suas considerações.

Sabedor que a família não aceitará uma intrusa e bastarda como herdeira.

Mas, os olhos meigos da menina o convencem de sua legitima natureza.

Sabe que não pode deixar que a primavera morra

E seus sonhos precisam ser revisitados

Decide amparar à meiga e singela flor em seus braços.

Na certeza de cumprir com sua missão nessa existência.

No final desse dia

O olhar profundo revela um agradecimento ao Criador

Por proporcionar um momento sublime de lembranças singelas

E de contemplar tão lindos olhos de um amor que há muito aconteceu.


Poema: Odair José

//odairpoetacacerense.blogspot.com


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