O filho pródigo
(de William Adriano)

Ele olhou ao longe e sentiu sede
Seus sonhos eram bem maiores
Que o prado que lhe gerou

Teve pra si a carne do próprio pai
Partiu pra seguir seu destino
Acreditando não mais voltar

O vinho ficou mais doce
Os beijos com novos tons
As estradas cobertas de pétalas

Extasiado por paixões vãs
Sob o manto dos prazeres
Encarou a multidão se esvaindo

A harpa calou e o vinho acabou
O cortejo findou na madrugada
E as concubinas se rebelaram

Agora o chão voltou novamente a ser chão
Nem as suas lágrimas matavam sua sede
Mesmo transbordando a taça da solidão

Mirou novamente seu olhar para os astros
Contemplou o caminho que traçou outrora
E fechando seus olhos lembrou-se de seu leito

Diante do portão de suas pueris lembranças
Estando com a garganta seca de palavras
Avistou seu pai com a alma aberta lhe tendo

Foi quando então sentiu verdadeiramente
O saboroso banquete da festa da vida nova
Que celebrava o renascimento do amor

E olhando pra dentro de sua própria vida
Percebeu então que a verdadeira herança
Estava dentro dos olhos... de quem lhe tanto amou


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