Quando as aguas feridas no chão

correm amargas misturadas ao pó

molhando o linho das vestes reais

regando o campo e seus lírios azuis


Chorando na relva, eu tenho dó

no carcere da lama, é prisioneira

fecunda a semente abandonada

cavando buracos nessa estrada


Gotas caídas e machucadas

remanescentes da trovoada

no chão da vida estão derramadas

nos telhados escuros da madrugada


Aguas da queda, espatifadas

transbordam as folhas dos pinheirais

fogem as crianças dos arraiais

o sangue das aguas, não vimos jamais


Ferida as aguas dessa queda fatal

molhando o templo e seus altares

num épico perpetuo, em sublime fanal

corre livre, as aguas aos sete mares


Clavio Juvenal Jacinto