Aqui estou nesse campo alienado

Com calos nas mãos, por causa desse arado

Suor no meu rosto, estou cansado

A entropia está aqui ao meu lado


Há perfume e muitas flores

Mas também espinhos e muitas dores

Primavera viva e tantas cores

Mas a noite escura também vem


A idade chegou, estou esgotado

Com todos os dedos, calejados

Noites de insônias, bem acordado

Atravessando a noite de olhos abertos


Vivo nesse mundo, tão triste

Chagas abertas que resistem

O sintoma do cansaço que persiste

A fraqueza do espírito também


Quem me dera, não fosse assim

Queria voltar aquele  jardim

Entre doces frutos e os campos de jasmins

Meu doce lar tão  aconchegante


Estou se passando nessa vida

Com as palmas das mãos doloridas

Vivo a plenitude da aflição

Nesse regaço do mundo sem direção


Vem, meu Criador! e me refaz!

Lá dentro de mim, retorne a paz

Sentido da vida, é meu querer

Estou farto de dias e vou morrer


Então eu mesmo, Adão, de mãos feridas

Tão cansado dessa breve vida

Com muito esforço fica em pé

E entrega-se a DEUS, com muita fé...



Clavio Juvenal Jacinto