Minha covardia é infinita
Simplesmente aceita aflita,
Todo o caos do meu país.

Minh'alegria é indestrutível,
Sempre passa impassível
Pelas praças e nos sinais.

Lá onde vivem crianças,
E velhos sem esperança,
Até que a morte nos dê paz.

Minha fome é insaciável,
Minha ganância indomável,
Diante de tanta miséria,
Eu ainda quero mais.

E a coragem que me falta,
Para lutar de verdade,
Me sobra na vaidade
Ao escrever cada palavra.

Portanto não se aborreça,
Com aquilo que eu te digo,
Sou apenas um mendigo,
Sem vontade nem nobreza.

Sou mais um em meio a tantos,
Que brada pelos cantos,
Mas no fundo nada faz.

Sou como você leitor,
Diante do monitor,
Ou em frente à TV.

E a mentira escancarada,
Já não nos revolta em nada.
É a verdade que ninguém vê.

Enviado por Ullisses Salles em 07/06/2007
Reeditado em 09/06/2011
Código do texto: T516954