Alguma coisa aconteceu às 19:04 da noite de uma quinta-feira. Eu só lembro estava olhando o Facebook pelo smartphone quando apareceu uma solicitação de amizade. A princípio pensei que fosse um perfil fake, mas em menos de cinco minutos já tínhamos iniciado uma conversa e eu já esboçava um sorriso capaz de chamar à atenção de quem estivesse próximo.
Os dias se passavam e a cada vez que nos falávamos me sentia mais envolvida mesmo sem ele ter encostado sua boca em mim, mesmo a gente tendo sobrevivido apenas de “bom dia”, “como vai” e “queria um abraço seu”.
Em pouco tempo perdi completamente a razão e algumas semanas depois já estávamos fazendo planos de nos encontrarmos e de ver o pôr-do-sol juntos e comecei a sonhar como seria dali pra frente. Eu não falava, só pensava, segurava o nó na garganta para não dizer que estava apaixonada. Pouco mais de mês depois ele fez confissões que me deixaram desestruturada e me levou pra passear com ele numa montanha-russa emocional em que as travas da cadeira não estavam funcionando direito.
Ao mesmo tempo em que me encantava com sua doçura me assustava com sua inconstância. Jurei que estava tudo bem, que não estava perdido, que essas coisas balançam a gente, mas não se prolongam. Enganei-me, pois se prolongaram e, cada vez que nos falávamos a minha respiração ficava pausada, meus lábios esboçavam um sorriso curvado de lado e meu peito expressava aquele ressoar pomposo. Minhas leituras passaram a seguir uma lógica pouco seletiva de livros que têm ele como tema, comecei escrever sobre ele e a lembrá-lo em cada detalhe.
Percebi que as coisas tinham desandado quando passei a não dormir por sua causa, quando passou a me sujar com a sua instabilidade. A minha cabeça ficou confusa, o meu coração ficou pesado. Não sei direito como aconteceu. Só sei que ele me empurrou de um precipício e passamos a cair juntos em queda livre.
Não sei direito o que estou fazendo, só sei que isso é bom, que conheci alguém novo, que preciso ir embora e a culpa não é sua.