UM SONHADOR

05 de Março de 2012 UALISSON CANGACEIRO Prosa Poética 95

Certa vez de vinha viagem
Em meu carro possante
Quando na estrada encontrei
com um viajante
parei o carro perguntei pra onde ia
ele respondeu,
pra onde o senhor for
já me faz valia.

No caminho foi me dizendo
que não tinha destino,
que saiu de casa quando ainda era menino.
Não foi por sua vontade
E sim pela necessidade
que fez o garoto perder a infância
indo direto para mocidade.
Seus pais muito pobres
não tinham como comprar
nem ao menos um brinquedo,
pro menino no terreiro poder brincar.

Vendo aquela precisão
Em que a família passava,
Decidiu que do mundo
Iria fazer morada.
Pediu a benção ao pai
o velho o abençoou,
e em sua mãe foi enxugar
as lagrimas que ela derramou.

A mãe vendo o filho ir embora
disse da janela: vá com Deus
e a proteção de nossa senhora,
que ela te proteja desse mundo cruel
que você volte antes deu ir morar no céu.
Saiu em disparado por aquelas terras sozinho
Que nem pássaro que bate assa
Ao deixar para sempre seu ninho.

Não levou muita coisa em seu bizaco velho
uma pareia de roupa e outro par de chinelos,
E pra se alimentar o que levava na marmita
Uma banda de preá e três rolinhas fritas.
Pra matar a sede a agua na cabaça
Com medo de picada de cobra
ainda levou cachaça,
que era um remédio curador
assim dizia seu avó
que quando moço foi picado,
por uma cobra de veado
e que de tanta dor,
tomou um porre desgraçado
por conta do mocotó inchado.

Saiu andando por aquele sertão
cruzando vale, açude e riachão,
a noite era o que mais preocupava
pois quando ninguém o oferecia morada
ele forrava o chão e por ali mesmo deitava.
O tempo foi passando e ele cada vez mais preparado
Conseguiu um emprego pra cuidar de um roçado,
Foi ali que a vida teve uma melhora
Muito diferente de tempos de outrora.

Chegava da lida com a cara sofrida muito cansado
Mas só de saber que estava empregado,
O cansaço ia embora feito burro desembestado.
A fazenda era uma riqueza tinha de tudo um pouco
curral, galinheiro, chiqueiro de porco ,
e umas plantações de caju, manga e côco.
no roçado só amentava a produção
de milho, verde macaxeira e feijão.

Para ele além d trabalho era um passatempo
mas não esquecia de jeito nenhum seu juramento,
antes de dormir ajoelhava e rezava
as orações que sua mãe ensinava,
e com o coração cheio de saudade
não aguentava e chorava.


Certo dia ele chegou para o patrão
e disse: tô indo embora vim pedir sua permissão,
o patrão sem entender a decisão de seu empregado
pediu que ele contasse pois estava preocupado.
O rapaz disse que tinha uma missão a cumprir
e por esse motivo iria sair dali.
O fazendeiro mais aliviado
Pagou-lhe as contas e deu mais uns trocados,
Perguntou se ele não queria ficar
lhe dava uma casa eu uma terra pra plantar
e a autorização pra família ele ir buscar.
O matuto em um Tom mau educado veio a ele falar
que iria sair pelo mundo ali não era seu lugar
e que ali ele não iria mais ficar.
O patrão chateado o mandou juntar
Tudo que ele tinha pra mode ele sair de lá
e pra suas terras ele nunca mais voltar,
juntou suas coisas e saiu em disparada
não via a hora de novamente pegar a estrada.
Passaria novamente por batalha sofrida
isso em busca da terra prometida ,
mas de uma coisa o caboclo não esperava
era que a sorte com ele não mais andava ,
e as portas em vez de se abrirem só se fechavam.

.

Não conseguia mais trabalho
Tinha acabado seu trocado,
Já estava aperreado por não estar mais ocupado
e agora não tinha esperança e nem solução,
ou voltava pra sua terra de criança
ou ia falar com seu ex patrão.
Mais se lembrou das palavras do fazendeiro
e resolveu de que aquelas terras não seria seu paradeiro,
ele viu que seu destino estava traçado
mais não admitia não queria ser derrotado.

Por um instante olhei de lado,
Ele se benzia retirava o chapéu e me dizia:
Minha mãe acho que tá no céu.
Aquela resposta era incerta
Nem ao menos ele sabia ,
se sua mãe estava morta ou se ainda vivia
e por um instante nada mais me dizia.

E rompendo aquele silencio me restou falar
que tinha chegado em minha cidade
onde ele iria ficar,
pode ser aqui vou pra outro lugar
eu não tenho paradeiro vou continuar a viajar,
obrigado pela carona Deus te pague esse favor
essa é minha história
a história de um sonhador.


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