Soneto das Sete Faces

09 de Julho de 2011 RBS Prosa Poética 879

A vida já me foi mais branda. Já cantarolei versos românticos e já avistei este sol com mais ventura. Agora não mais sorrio, não me sinto mais forte, perdi todas as forças que se foram juntas com o meu grande e único amor. Chamava-se Isabel e tinha-lhe como o meu anjo, a minha princesa.

Isabel, a minha safira, tinha nos olhos todo o encanto, e almejava-lhe somente os seus lábios de mel. Ela era a virgem dos meus olhos, entoando-me prazeres indescritíveis.

Desde já peço-te perdão por esta confissão que faço e sei que me perdoarás, visto que estás próxima a mim e sorrias fortuitamente.

Violei a tua santa castidade
Na noite da nossa união
Teus olhos brilharam com ênfase
E vencera a timidez envolvida em meus braços.

Digo-te, companheira das minhas utopias, que choro porque te amo. E por que és tão irresistível?

Tuas mãos tão delgadas, porém rijas
Acompanharam o meu corpo tépido
Fizeram-me afogar no mar do prazer
E então te fiz minha para todo o sempre.

Por te desejar tanto a desposei — por alegria dos meus pais que tanto te queriam. Contudo, ao passar o tempo, ele me traiu da maneira mais pecaminosa.

A tua saúde de cristal, abalada
Me trouxe o desespero da morte
Ao fim me beijara com os lábios gélidos pelo cansaço.

Em pranto, pedi que não me abandonasse, pois sem ti não poderei viver. “Não me deixe, minha amada. Necessito do teu corpo, da tua alma, do teu néctar que me deste.”

Se fora com um último sussurro
Privando-me do amor eterno que nos uniu
E deixando-me a dor do amor não correspondido.

Por fim me vou também, pois esta dor me domina e com ela não posso viver em paz.

Oh cálido veneno de Afrodite, me negaste a felicidade! Supérflua como és, mereces o pudor de quem ama.

Quão generosos serão aqueles que te dominam, pobre criança, filha dos céus.

Há de vir o dia do meu ressurgimento e te terei com um aferro descontentamento.

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