Sombras da Infância

05 de Setembro de 2013 Elias Lima Prosa Poética 1724

Eu sempre desejo saber a verdade
O que é real e o que está escondido
Então acabo por saber mais do que sou
Mais do que posso agüentar
Mais do que posso ser
Mais do que a minha frágil consciência idealista consegue suportar
À cada brilho de sol que ousa trazer o caos de um novo dia para que eu possa adormecer novamente dentro de mim.

Eu assisti a minha morte várias vezes
E não pude fazer nada,
Eu não sabia me defender
Então eu faço sempre mais do que posso, para evitar muito sofrer.

Eu enxerguei a verdadeira face da maldade de perto
Eu senti, sangrei, morri outra vez e outras vezes
Então eu desisti e desisti novamente.

No inferno em que só a mente consegue te levar eu então enlouqueci, eu me perdi no abismo de dores que só eu senti.
Vi a vida ir embora tantas vezes e preso numa ilusão, eu resisti.

A ilusão era tudo que eu tinha,
A única coisa que ainda não haviam me tirado com violência,
Não havia levado de mim, a criança sonhadora incurável
Ainda sobrevivia, mesmo à muita tortura, minha inocência.

Mas nada do que foi feito se apagará de minha memória.

E hoje tento, embora em vão, calar as vozes desses fantasmas através de palavras escuras carregadas de desilusões eternas afim de inutilmente, exorcizar esses demônios que incessantemente tentam me torturar a alma.
Incansavelmente, tentam me levar de volta às sombras da minha infância, do universo inseguro que sempre pertenci.

Afim de sobreviver, criei um novo universo dentro de mim
Onde sempre me reencontro ao descer das nuvens escuras,
No cair da lua,
No silêncio esplêndido das estrelas que brilham sonhando em um dia ver este mundo mudar.

E no fechar dos olhos em minhas noites à só, onde a luz sombria da realidade já não pode mais me tocar nem me machucar,
Num devaneio gostoso e profundo,
Volto para o meu canto, onde a minha alma ali somente descansa e enfim, encontra a sua sagrada segurança e um pouco à espreita, uma falha de esperança.

E num delírio glorioso eu estou em paz,
Livre nas sombras,
Em meu lar.

Esse texto está protegido por direitos autorais.
Cópia, distribuição e execução são autorizadas desde que citados os créditos.

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