Não foi assim
Que ouvi quando criança
A vida como uma enorme dança
Conduzindo-me à infinita esperança.

Não foi assim
Que ouvi dos anjos
Quando estava assustado
Que você iria me abandonar
Quando me sentisse rejeitado.

Não foi assim
Que ouvi de você
Que sempre estaria aqui para me apoiar
Mas você partiu
E não tem como mais voltar.

Não foi assim
Que vi das histórias infantis
Que tudo que começa mal termina bem
Que o bem sempre vence o mal
E as coisas sempre voltariam ao seu estado normal.

Não foi assim
Que eu ouvi alguém dizer com imensa certeza
Que toda tristeza é passageira
E que a alegria vem logo pela manhã
Quando dura a noite inteira.

E agora, a insanidade todo dia bate-me à porta
Com o caos gritando em meus ouvidos
E o vento trazendo sua iminente destruição
Deixando-me cercado de anjos caídos pelo chão.

Nada está seguro e salvo
Ninguém se olha nos olhos
Ninguém se abraça,
Todos querem se dar “bem”.

E cada alma traz seu peso, sua dor solitária
Sua história com uma bagagem diária de desilusões arrastadas
De uma esperança cansada
De uma infância que tudo se prometeu
De uma infância que morreu e tudo que é bom e justo se perdeu.