A minha alma

Pobre,
Nasceu no escuro.

Miserável,
Viveu com porcos.
Rejeitada,
Cresceu com as sombras.

Sozinha,
Descobriu que tudo era mentira.

Perdida,
Não soube se encontrar.

Enfraquecida,
Caiu até o inferno.


Enfrentou demônios.
Sangrou de medo.

Encontrou-se com a loucura.

Liberta,
Descobriu que a dor só a leva a mais dor.

Cansada,
Desconfiada,
Resolveu procurar a luz.

Pessimista,
Achou que não fosse encontrar.

Iluminada,
Hoje ela descansa em seu canto escuro.


Onde as feridas gritam como espíritos aprisionados em seu tormento infinito.
Onde o tempo jamais apagará o que foi cruelmente feito e desumanamente dito.
Onde a dor não a deixa em paz.
Onde as promessas não têm o seu efeito.

Onde ninguém pode dizer o que ela deve ser nem como ser,
Onde ninguém e nada vai mudar o que houve ali,
Onde os olhos não veem, os ouvidos não escutam,
Onde ninguém a sente.


Ali ela está então,
Segura.