Tempo - Velho Relógio de Cordas

08 de Setembro de 2013 Hermes & Toth Prosa Poética 703

Sugestão de áudio (Ludovico Einaudi - Earth Prelude)

Um passo por vez - Em frações infinitas.
Batidas eternas ressoando sem parar. Ecoando com a voz do infinito através dele mesmo.
- Sozinho segue constante.
Talvez seja o maestro o próprio tempo, que na sua constância se esbarra na curiosa existência.
Mortais temporais, reféns de sua fração! Somos mesmo tão dependentes do tempo.
Não somos nada além de milésimos de fração.
- Frações de puro tempo.
Feitos de ontem, hoje e de um amanhã. -Talvez!
Existência curiosa - Indecifrável. Mais parece um delírio forjado.
Beirando aos precipícios da razão, lançado no nebuloso profundo mar do impossível.
Eis que inutilmente tento coexistir.
Vislumbrado, estarrecido e talvez apavorado num Curioso Paradoxo.
Deixando para trás a razão e mergulhando no obscuro do puro tempo.
Sem mais pesar nem receio e sem desejos também.
Pairando no nada absoluto onde a própria existência se desfaz, onde o tempo é o Grande Oráculo de si mesmo
- Eis que ouso brincar de mestre, dando cordas num velho relógio de tempo cósmico, como se fosse um velho, recostado numa tarde de domingo ajustando um antigo relógio de bolso.
Nostálgico e receoso por passados a muito perdidos e inalcançáveis, aflito no vislumbrar de um futuro inatingível - Pobres almas mortais, dependentes de tempo tão curto.
Tempo infinitamente mais curto que os próprios sonhos...
- Sonhos esses, afogados pela vaidade e insatisfação.
O Grande Oráculo não se prende em suas frações, tampouco nas existências resultantes.
- Relutantes - Mentes - Humanas.
Feitos de tempo e memórias eternas - De sonhos e medos obscuros, que fogem do próprio entendimento.
Não existe retorno, não há curvas nas linhas. Mesmo tocando as membranas do tempo, vê-se apenas as possibilidades, que se fazem distantes a cada segundo.
Meu respirar cansado e minha breve compilação delirante, me fazem lembrar de mim mesmo, a tanto perdido.
Dos meus sonhos ávidos - E do meu medo de acordar e não haver mais tempo...

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