Ó, Consciência...

14 de Setembro de 2013 Elias Lima Prosa Poética 218

Ó, consciência,
Que me traz a luz nos dias sombrios
Que preenche por vezes o meu vazio,
Agora arraste de mim todo o seu peso,
Que eu quero dormir e já não tenho sossego,
Com estes pensamentos que me devoram por dentro...

Ó, consciência,
Por vezes eu me refugio lá fora,
Fico lá sozinho no Grande Universo
Quieto, parado e em silêncio,
Só para ver se você se acalma
E assim saia de mim toda a dor que me consome o peito.

Ó, consciência,
Aqui cá dentro, há um menino sozinho
Chorando no seu quarto escuro quietinho,
Não vê que o assusta cada vez mais?
Não vê que está matando-o desse jeito?
Deixe-o em paz,
Não assuste mais este pequeno sujeito de espírito pobre
E que miseravelmente sofre por ter que se vender para tentar ter algum respeito.

Ó, consciência,
Não vê que me torturas?
Ou sente algum prazer sádico em me ver caindo nesse abismo que existe em mim mesmo?

Ó, consciência,
Há tanto sofrer em saber!
Não sabia que na ignorância se sofre menos,
Não sabia que a dor de saber é mais densa e lenta...
O conhecimento é um veneno viciante na qual bebemos insaciavelmente e melancolicamente vamos vivendo nas sombras de nossos pensamentos sempre penetrando na escuridão de nosso espírito cansado e enfermo.

Ó, consciência
Eu vivo buscando a saída para esse desespero
E quanto mais tento mais vejo que não há senão somente a busca por ela,
Na verdade ela não há...

Ó, consciência,
Por isso me sinto só, vagando por este mundo cheio de espíritos carniceiros
Carregando em mim o peso deste mundo injusto que só é porque eu criei um justo e nada mais é que a própria desilusão de mim mesmo.
Nada mais é que a dor da minha própria queda.

Ó, consciência,
Eu tenho andado tão ferido em meus desejos,
Angustiado sou desde que nasci,
Às vezes me pergunto se sou mesmo humano, sou?
Eu sou tão diferente deles,
Eu sinto tão diferente deles,
Por que este injusto preço?
Por que essa dor que ata em nó em minha garganta,
Que me deixa sem voz, sem fôlego e sem esperança?

Ó, consciência,
Será que há cura para esta tristeza?
Algum remédio novo na farmácia?
Uma dieta talvez para perder peso?
Nada?
Tudo é ilusão?
Tudo se resume em desilusão e mais desespero?

Ó, consciência,
Escura é a cor da solidão
Que em mim não vive só, pois está aqui dentro do meu canto cheio de traumas de infância.

Então nas sombras eu carrego a dor e a angústia de existir, na ilusão consciente que talvez haja alguma razão para tudo isso e enfim, eu possa enxergar na superfície de meus profundos mergulhos em memórias de infância o brilho do sol e quem sabe talvez seja verão e eu nunca mais sinta a chuva cair em mim em dias de inverno em meu espírito. Nunca mais chova em mim duras pedras na qual me mataram desde que nasci.

Esse texto está protegido por direitos autorais.
Cópia, distribuição e execução são autorizadas desde que citados os créditos.

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