Passo pelas ruas, no vai e vem de carros e pessoas. Tudo se confunde: rostos desconhecidos, máquinas iguais. Há em mim a angústia do transeunte solitário, perdido na movimentação do espaço urbano. Paro, sento e observo. Cada rosto traz no senho a sua angústia. Uns sorriem e conversam animados; outros, tão solitários, perdem-se em pensamentos; outros, ainda, são indiferentes a tudo. Indiferença, pior das mazelas humanas. Total alienação e falta de sentimento. De que serão feitas as pessoas indiferentes? Talvez de ferro. Talvez de nada...Usam máscaras diferentes com pessoas diferentes e pensam em nunca cair. Não importa o que os demais pensam ou sentem. São tão ensimesmadas que o ego lhes chega ao infinito, recobrindo num todo a essência que deveriam carregar. Milhões de anos estarão entre os mundos que reservam dor e sofrimento pelas diferenças gritantes, até que aprendam a amar verdadeiramente, pois só então começarão a ser humanizadas.