Alguém pode me dizer
Por que você se foi sem nada a esclarecer?
Você se foi sem um “adeus”, sem um grito sequer?

A você eu entreguei o meu corpo, minha alma, minhas feridas e meus traumas
Meu espírito então acordou de seu sono e confiou em você
Agora você se torna mais um fantasma para os meus pesadelos
Mais um tormento para em minha mente frágil se escurecer.

Juras, promessas, alianças
Duas vidas se tornando uma história
Iríamos lutar juntos, nos curar juntos, superarmos tudo
Ser uma única força contra o nosso maldito destino solitário lembra?

Essa dor me arrebenta as costuras de minhas cicatrizes que estavam quietas, com o meu sangue estancado por mais uma ilusão
Até então estavam sepultadas, tinham virado passado
Agora se tornam minhas companheiras nas horas de pura solidão.

Minhas feridas ganham voz e gritam de dor em meu espírito
Não sei se posso suportar essas lágrimas vermelhas de um amor que me matou toda a esperança que cultivei ao seu lado
Não sei parar de chorar ao olhar para as nossas fotos sem sentir essa intensa mágoa
Que me faz esmorecer, a melancolia me entorpece
Eu só tenho vontade de morrer.

Anjos congelados em suas almas
Semblantes tristes e rostos cabisbaixos
A dor me rasga o peito como a neve que cai e me afunda por debaixo do gelo
As lágrimas pretas de mágoas escuras de luto escorrem sem parar para que você volte depressa e me traga de volta a vida que você roubou, os sonhos que você alimentou, as ilusões que você me deu.
Eu ardia em vida ao seu lado,
Minha alma se aquecia em sua chama
Agora sou uma estátua sem vida, petrificada e amargurada.

Eu fui abandonado mais uma vez, mas vou suportar (será?)
Tentarei dar pequenos passos até esquecer essa morte diária
Carregarei o peso das desilusões do mundo em meu peito (vou aguentar?)
E mesmo nas manhãs cinzentas de inverno eu sei que me lembrarei de você
Mas vou ignorar toda a mágoa da rejeição e rezarei para que o seu fantasma não me assombre e desapareça.
Eu tenho que sobreviver. (Vou conseguir?)

Você era a minha única força
A única razão de continuar vivendo
O caminho lindo para a inevitável morte
Você era tudo, e era lindo de acordar em teus braços, seguro neste mundo que me deixa assustado e inseguro.
Você era tudo,
Você era único.

Gotas de chuva caem sobre mim
E eu agradeço a Natureza
Ainda estou vivo
Ainda posso viver.

Era isso que eu tinha que prever desde o início?
Era isso que eu esqueci nesse jogo cruel de viver?
Que tudo que vem vai,
Que tudo pode acontecer e de repente, desaparecer?

Eu rezarei para sobreviver
Todos os dias eu prepararei seu jantar
Colocarei o seu prato na mesa, caso você se atrase do trabalho.
Colocarei a nossa música e iremos dançar,
E se você não quiser, dançarei sozinha,
E você irá rir de mim, como sempre.

E em todos os anos em dia de Dia de Finados
Eu irei até o seu epitáfio e o abraçarei
Porque você se foi como um sonho pra mim
Que eu não quero acordar
Que eu não quero acreditar que a Natureza o levou de mim.
Eu não quero enlouquecer sem teu abraço, sem teu cheiro, sem teu beijo de “boa noite”.
Mas neste dia eu dormirei no cemitério
Ao lado do meu único amor
Junto de tudo que um dia me fez viver de verdade e que agora não pode acordar de seu sono profundo no Campo Elísios.
Que Thanatos cuide bem de você,
Doce e eterno amor...